O
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello concedeu liminar
(decisão provisória) nesta segunda-feira (5) para afastar Renan Calheiros
(PMDB-AL) da presidência do Senado.
O ministro atendeu
a pedido do partido Rede Sustentabilidade e entendeu que, como Renan
Calheiros virou réu no Supremo, não pode continuar no cargo em razão de estar
na linha sucessória da Presidência da República.
"Defiro a
liminar pleiteada. Faço-o para afastar não do exercício do mandato de Senador,
outorgado pelo povo alagoano, mas do cargo de Presidente do Senado o senador
Renan Calheiros. Com a urgência que o caso requer, deem cumprimento, por
mandado, sob as penas da Lei, a esta decisão", afirma o ministro no
despacho.
O G1 procurou a assessoria
de Renan Calheiros e aguardava posicionamento até a última atualização desta
reportagem.
Renan
Calheiros ainda pode recorrer ao plenário do Supremo. Além disso, a ação ainda
terá que ser analisada pelo plenário da Corte mesmo sem o recurso do
peemedebista, mas isso ainda não tem data para ocorrer.
Com o
afastamento do peemedebista da presidência, o senador oposicionista Jorge
Vianna (PT-AC), primeiro-vice-presidente do Senado, assumirá o comando da Casa.
Réu no
STF
Na semana passada, o plenário do Supremo decidiu, por oito votos a três, abrir ação penal e tornar Renan réu pelo crime de peculato (apropriação de verba pública).
Segundo o STF,
há indícios de que Renan fraudou recebimento de empréstimos de uma locadora de
veículos para justificar movimentação financeira suficiente para pagar pensão à
filha que teve com a jornalista Mônica Veloso.
A Corte também
entendeu que há indícios de que Renan Calheiros usou dinheiro da verba
indenizatória que deveria ser usada no exercício do cargo de Senador para pagar
a locadora, embora não haja nenhum indício de que o serviço foi realmente
prestado.
No último
domingo (4), Renan foi o principal
alvo das manifestações de rua que reuniram milhares de pessoas em todos os
26 estados mais o Distrito Federal. Os atos, em apoio à Operação Lava Jato e ao
projeto de dez medidas de combate à corrupção, foram registrados em pelo menos
82 cidades.
Réu na
linha de sucessão
Antes, em novembro, o Supremo começou a julgar ação apresentada pela Rede sobre se um réu pode estar na linha sucessória da Presidência.
Para seis
ministros, um
parlamentar que é alvo de ação penal não pode ser presidente da Câmara ou
presidente do Senado porque é inerente ao cargo deles eventualmente ter que
assumir a Presidência.
O julgamento,
porém, não foi concluído porque o ministro Dias Toffoli pediu vista, ou seja,
mais tempo para analisar o caso. Apesar de o
julgamento não ter sido concluído, a Rede argumentou no pedido de afastamento
de Renan que isso não impedia Marco Aurélio Mello de analisar a liminar. O
partido lembrou que isso já aconteceu em outros casos, de um ministro pedir
vista sobre um tema e outro conceder liminar sobre o mesmo tema.
O ministro
Marco Aurélio destacou, em sua decisão, que a permanência de Renan Calheiros na
presidência do Senado após virar réu compromete a segurança jurídica. Ele
lembrou que seis ministros do Supremo já decidiram que um réu não pode ocupar
cargo que esteja na linha sucessória, mas frisou que o julgamento ainda não foi
retomado.
"O que
não havia antes veio a surgir: o hoje Presidente do Senado da República,
senador Renan Calheiros, por oito votos a três, tornou-se réu [...]. Mesmo
diante da maioria absoluta já formada na arguição de descumprimento de preceito
fundamental e réu, o Senador continua na cadeira de Presidente do Senado,
ensejando manifestações de toda ordem, a comprometerem a segurança
jurídica", disse o ministro.
Segundo ele, a
decisão liminar de afastamento visa implementar provisoriamente decisão já
tomada pela maioria do Supremo.
"Urge
providência, não para concluir o julgamento de fundo, atribuição do Plenário,
mas para implementar medida acauteladora, forte nas premissas do voto que
prolatei, nos cinco votos no mesmo sentido, ou seja, na maioria absoluta já
formada, bem como no risco de continuar, na linha de substituição do Presidente
da República, réu, assim qualificado por decisão do Supremo", argumenta
Marco Aurélio Mello.
G1
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