sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Opinião


Ex-deputado Gilvan Freire
LIRA CONSPIRA CONTRA CASSIO E MARANHÃO. 
SÓ DEUS SABE SE VAI DAR CERTO OU ERRADO
Guindado ao Senado pelas necessidades fisiológicas e financeiras do senador Vital do Rego Filho, que lhe transferiu quatro anos do mandato que o povo da Paraíba lhe outorgou nas eleições de 2010, o senador Raimundo Lira aflige-se com o fim do Poder.
Senador Raimundo Lira (PMDB)
Lira é muito rico em Brasília e não precisa do povo da Paraíba para nada, mas o mandato senatorial exerce grande fascínio sobre os homens afortunados no Brasil, tanto que muitos acessam o cargo através de uma suplência literalmente comprada à vista.
No exercício do mandato, graças à generosidade e desprendimento do senador Vital, que lhe entregou o que vendeu por duas vezes – primeiramente a suplência e depois a metade do cargo eletivo de oito anos – Lira luta agora para não sair da cadeira.
Mas o dilema de Lira é ter de ir buscar na fonte, diretamente, o remédio democrático que legitima mandatos: o voto popular, elixir que tonifica a vaidade e a cobiça dos ricos mas usualmente socorre mais aos políticos pobres.
Sem maiores chances de receber o apoio da aliança Cartaxo-Cassio-Zé Maranhão, por onde gravitam nomes eleitoralmente fortes como Lucélio, Rômulo, Aguinaldinho, Deca e outros, só resta a Lira as muletas de Ricardo Coutinho.
Serão, em 2018, duas vagas para o Senado, reservadas, aparentemente, a Ricardo Coutinho e Cássio, estando à venda apenas as suplências para quem tiver dinheiro, o que Lira não quer mais.

À falta de opção, Lira vai colando em Ricardo Coutinho, cujas pernas já estão ficando bambas por desgastes naturais de uso e sem ter mais outras muletas que já usou antes, tendo de pagar pelos graves problemas da gestão e pelo clima político adverso. Esse jogo de sobrevivência em areia movediça pode até dar certo, mas a maior possibilidade e de dar errado. Alguém terá de afundar.


Gilvan Freire

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