segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Entrevista da Semana


Patoesne, paraibano, político, filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 01 de janeiro de 1982, por muitos anos atuou na política no distrito federal, atual vice-prefeito da cidade de Patos-PB. Lenildo Dias Morais, 52, hoje exercendo o cargo de Secretário Estadual de Agricultura Familiar e Desenvolvimento do Semiárido da Gestão do governo Ricardo Coutinho (PSB), abre nosso espaço de Entrevista da Semana. Ele respondeu as 10 perguntas do Sertão Político e os nossos internautas a partir desta semana terão a oportunidade de conhecer melhor os agentes políticos de Patos e da Paraíba neste espeço reservado para um “raio-x” dos nossos representantes e postulantes a cargos no executivo e legislativo.

Confira:

1 – Quem é Lenildo Morais por Lenildo?
Sou cidadão patoense, nascido aqui na 26 de julho, filho de seu Tranquilino Amâncio de Morais e dona Miraci Dias de Morais, oriundo de uma família humilde, que batalhou muito para sobreviver. Meu pai um marceneiro, minha mãe uma dona de casa e eu vive toda minha infância no bairro do Santo Antônio, Jardim Guanabara, Bairro da Maternidade. Minha infância foi muito proveitosa, pois naquele tempo se brincava mais, se divertia muito mais, apesar das nossas dificuldades. Isso de certa forma me deu condições pra que eu pudesse valorizar a vida, a vida tem a questão principal que a felicidade e seu sempre procurei ser uma pessoa feliz, que pudesse conviver com todas as pessoas sem nenhum tipo de descriminação. Meu pai apesar de nos colocar para ajuda-lo no trabalho também exigia que nós estudássemos, e foi a partir dos meus estudos que pude me preparar para a vida.


2 – Como se deu essa vocação para política?

Toda minha história na política vem da família, sou neto de João Baldoíno, era um velho militante emedebista, ele me levava para os comícios de Rui Carneiro, era uma figura muito decidida na política e gostava muito do contraditório, ele era “anti-Arena”. Devido a meu avô me levar aos comícios comecei a me identificar com o seguimento meu irmão, o padre Luciano, também teve influência na minha vocação. Ele estudava em Recife, estudou com Dom Elder Câmara, um dos históricos mais importantes de resistência política do Brasil. Então sempre quando Luciano vinha a Patos, conversava conosco, trazia livros do que era discutido naquela época que a igreja vivenciava em Recife. Os padres discutiam política com mais ênfase, principalmente nas comunidades. De certa forma essa influência me deu uma contextualização e retórica política porque a gente sempre discutia esse tema. A partir daí tanto nas escolas como nos ambientes de trabalho, sempre procurei me apresentar como estudante disciplinado e colega de trabalho amigável. Professores também foram importantes nesse processo de despertar o gosto pela política. Aqui em Patos o professor Wilson Lacerda, teve papel importante na minha formação quanto aluno estudante. Na formação política eu costumo dizer que eu tive duas professoras que foram essências na minha compreensão política de estado de sociedade. Uma delas Maria da Guia Leite, no colégio Agrícola em Lagoa Seca, ela me deu uma abertura muito importante, compreendendo e participando de debates sobre a situação política da região. A outra foi professora de sociologia Ângela Maria Braga, lecionava na Universidade Federal de Rondônia, onde eu fiz o curso de Geografia e ela também me deu uma certa contextualização política do mundo e da sociedade, tudo isso em outra dimensão, pois eu já era do movimento sindical, já trabalhava e isso fez com que a gente compreendesse mais o mundo. Então minha trajetória política, eu devo as pessoas que eu tive oportunidade de conviver, desde as mais simples humildes a quem estava nas academias onde aprendi compreendi nossa sociedade.

3 – Fale um pouco da sua vivência fora de Patos, as atuações em Brasília

Após concluir o ensino fundamental aqui em Patos, fui fazer colégio Agrícola em Lagoa Seca, próximo a Campina Grande, terminando o curso de Técnico Agrícola, viajei para Rondônia, aventurar, lá não tinha nada certo pra mim. Ao chegar naquele estado, fiz um concurso público na Embrapa, fui aprovado e até hoje sou funcionário da empresa. Esse concurso me deu a condição de um dia poder voltar à Paraíba e também ingressar no movimento sindical. Ainda em Rondônia fui dirigente sindical, eleito presidente nacional de uma entidade que representa todos os trabalhadores da Embrapa, da Codevsf, institutos de pesquisas de todo o país, eleito por dois mandatos. Em 2002, o presidente Lula me convidou para fazer parte da sua equipe de campanha, sendo coordenador do comitê de mobilização de Brasília. Após isso deixei o movimento sindical e comecei a fazer parte da gestão do governo em 2003, com atuações na liderança do PT no senado, por quase um ano. Em seguida fui ser diretor da Funasa. Uma rápida passagem no gabinete do deputado Geraldo Magela como chefe de gabinete e em seguida trabalhei na casa civil da presidência da república como diretor de recursos logístico, na gestão do presidente Lula entre o primeiro e o segundo mandato. Depois disso em 2008, conversando com minha família resolvi voltar à Paraíba.

5 – À volta a Patos, a pré-candidatura a prefeito e a eleição como vice-prefeito na chapa encabeçada por Francisca Motta?

Eu estava há muito tempo fora, só visita meu estado e minha cidade duas vezes por ano e percebi que era hora de retornar, pois a vontade era de voltar permanentemente. Surgiu uma oportunidade de transferência pela Embrapa, eu agarrei e voltei para a Paraíba, lotado em Campina Grande. Isso foi muito bom porque quase diariamente eu estava aqui em Patos. A partir daí surgiu o debate junto aos companheiros do Partido dos Trabalhadores de termos mais uma alternativa política para gerir nossa cidade. Então em 2009, começamos a trabalhar a estratégia de como chegar, se apresentar na cidade já que passei muito tempo fora e isso dificultava. Mas como nós tínhamos também uma credibilidade pela família que tenho minha militância na política e a história do partido, isso também ajudou nessa trajetória. Primeiro tentamos unir o partido, depois lançarmos a ideia de uma candidatura a prefeito, o debate interno, o consenso progressivo muito importante para os rumos a serem tomados. Tivemos a oportunidade de dialogarmos com outras frentes outros partidos, até chegarmos a uma compreensão naquele momento que o Partido dos Trabalhadores em função do projeto nacional, do arco da aliança NACIONAL com o PMDB, nós tivemos que recuar de nossa candidatura para se fazer uma aliança com o PMDB. Aliança essa que foi muito proveitosa e o resto da história você já conhece.

6 – Como você vê a situação atual da política e o seu partido no centro das atenções envolvido em denuncias e tendo que lutar contra um processo de impeachment?

Vejo com muita preocupação, nosso partido o PT precisa fazer uma profunda reflexão dos procedimentos a serem adotados daqui pra frente, na minha opinião o PT não pode ser criminalizado, pois o partido tem 1,8 milhão de filiados, então a militância e o partido não pode pagar por erros de poucos, que se contarmos nos dedos não chega a 20 pessoas que erraram no partido. É normal que erre mais que se pague pelo erro, agora criminalizar todo o partido é errado. O PT tem história, tem um histórico de formação e introdução de políticas públicas invejáveis. O Orçamento Democrático que implantou fomos nós, o Bolsa Família fomos nós, quem primeiro discutiu e ampliou uma política de agricultura familiar foi o PT. Fomos nós que discutimos uma ampla reforma e ampliação das universidades em nosso país. Foi o PT que teve a ousadia de criar o SAMU, onde antigamente principalmente em cidades pequenas, as pessoas dependiam do político para transportar um doente para uma determinada cidade, hoje você liga de um orelhão ou do celular e já vem o atendimento. Então o PT foi responsável por muitas políticas publicas que deram certo nesse país e isso não pode deixar de ser avaliado. A gente sabe que o debate sobre corrupção, o governo deu toda amplitude para apuração, o PT não barrou a Polícia Federal, nem o Ministério Público, pelo contrário, deu toda autonomia para que as investigações fossem feitas. Eu acho que o partido vai superar essa fase, vai passar por esse desgaste que está acontecendo que está acontecendo. Eu acredito que a presidenta vai sair ilesa desse processo, até porque não tem nada que comprove ato ilícito dela. O que ela fez foi uma tal de pedalada fiscal, que já está esclarecido ela usou dinheiro dos bancos para pagar os programas sociais do governo, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida ou outros programas sociais e que precisavam ser pagos. Isso tá comprovado também que outros presidentes já haviam feito como Sarnei e Itamar, Collor, FHC e o próprio Lula. Então esse impedimento é um terceiro turno que a oposição quer fazer a qualquer custo, mas a sociedade está percebendo que isso é uma tentativa de golpe. A prova disso foi o fracasso das manifestações de rua no final do ano. Isso é uma tentativa de enfraquecimento da democracia, eu acho que quem perdeu a eleição tem que reconhecer que perdeu, quem ganhou tem que governar. Ela tem legitimidade, ganhou com mais de 54 milhões de votos e precisa e deve governar até 2018.

7 - Até que ponto esse fator nacional pode afetar a conjuntura política local, principalmente quando se é filiado ao PT?

A população de Patos me conhece, conhece minha família, sabe da minha trajetória. Obviamente que ninguém traz na testa uma etiqueta de honesto e a gente também não pode ficar dizendo que é mais honesto do que os outros. Porém para se fazer uma avaliação política de Lenildo em Patos, também é preciso fazer de outros políticos, o que outras pessoas fizeram no ponto de vista ético. Eu não fiz e nem vou fazer parte desse debate ou pautado esse debate de quem é ou não honesto. Ética e honestidade é uma obrigação do ser humano, sobretudo dos políticos, se algum cometeu algum erro, um delito, independente do partido, que seja punido. Existe políticos honestos em todos os partidos. Um ponto que observo para essas eleições de 2016 é que elas serão totalmente diferentes das outras, a sociedade será muito mais exigente em relação aos seus candidatos, ela vai ter uma possibilidade de fazer uma avaliação muito mais profunda. A sociedade vai ser mais rígida na hora de escolher seus representantes.

8 – Qual o posicionamento do diretório local do PT para as eleições deste ano cogita-se candidatura própria?

O debate está na mesa, está exposto. Passei o ano de 2015 nesse debate interno na secretaria onde estou secretário, disse e repito que esse processo de 2016 vai começar em fevereiro, março, quando as coisas começam mais a fluir. Sou um agente político, sou militante, dirigente partidário e por isso tenho sido provocado sobre a possibilidade do PT ou do meu nome ser colocado como alternativa para Patos. Eu acho que a gente precisa nesse momento, compreender o “xadrez” político da nossa cidade, temos um processo de gestão implantado, pela prefeita Francisca Motta, as pessoas podem até me criticar, mas acho até que ela não está fazendo uma má gestão, tem alguns problemas do ponto de vista de comunicação, relacionamento, dialogar mais com a sociedade, porém não é uma má gestão, mas que precisa melhorar. Do outro lado temos uma candidatura posto do PSDB do médico e deputado Dinaldinho ao que percebo, não tem alternativa de poder para nossa cidade, de projeto novo. Por isso fica uma grande dúvida, a cidade vai continuar com o PMDB? O PSDB vem forte com inovações? Eu acho que há um hiato nisso ai, tem um debate importante a ser feito na nossa cidade, pra saber qual é o perfil do gestor que a sociedade quer pra nossa cidade? Esse é o ponto que deve ser debatido. Se vai continuar Francisca, se vai ser Dinaldinho se vai ser Lenildo? A sociedade tem que ter um momento de sensatez e discutir qual a característica de gestor ou gestora que a nossa cidade precisa. Eu digo que esse debate sobre candidatura no momento certo será colocado. Estamos aberto a discutir, ouvir falar; eu apenas deixo claro que não tenho mais pretensão de ser candidato a vice, não me arrependo de ter sido candidato a vice na chapa de Francisca. Mas por questão de ordem pessoal, já comuniquei a meu partido que não a menor disposição de compor chapa majoritária como candidato a vice. Se o PT num amplo debate tiver unidade interna, e quiser fazer um debate sobre candidatura, nós estamos abertos, no momento certo. Agora precisamos aprofundar as discussões com os seguimentos sociais da nossa cidade, isso é o que importa. Não farei nenhum ato correto e que julgue certo para viabilizar candidatura. Se acaso tive quer ter candidatura teremos, mas não vou passar por cima dos meus princípios, só para ser candidato. Não vejo como problema criticas do meio de comunicação em ser ou não candidato, obviamente que eu tenho desejo, vontade e coragem de administrar nossa cidade. Não sei se será em 2016, caso seja espero que a partir de março ou abril, estejamos construindo nossas condições, mas é um processo que não depende só de mim, depende também do governador Ricardo Coutinho, pois o PT é aliado do governo. Há todo um xadrez como eu costumo chamar, para ser jogado e não cometer nenhum erro, nem nós nem com nossos aliados. Isso é importante também para não criar falsas expectativas para nossos eleitores, simpatizantes e militantes.

9 – Como vice-prefeito, o Sr. acha que poderia ter sido melhor aproveitado e em relação ao cargo de secretário estadual há algum tipo de orientação ou acordo com o governador para uma possível caminhada juntos nas eleições municipais?

Eu me vejo como um vice-prefeito que está cumprindo a sua missão do ponto de vista legal, porque quem é vice está ali pra uma eventualidade pra se for preciso assumir. Não sou de perturbar secretário, pedir isso aquilo. Não estou para ser prefeito sou o vice. Caso ela me demande ou me demandasse eu estaria sempre a disposição, mas cada um tem seu estilo, sua maneira de administrar. Não quero entrar no mérito se fui muito ou pouco aproveitado. O PT tem seu papel na administração através da secretaria de Habitação, com o companheiro Everaldo Lima desempenhando um excelente trabalho, por isso o PT não está apoiando em troca de cargo. Em relação ao PSB temos dialogado muito com eles, como eu disse toda essa discursão de alianças vai depender do meu partido e também de acordo e conversas com o governador, para não colocar em risco o projeto estratégico que estamos tendo na Paraíba. O governador é nosso comandante, tem sido um fiel escudeiro na defesa de democracia, na defesa da presidenta Dilma, então vamos ter sempre esse respeito ao governador. Claro que o PT tem sua autonomia e no momento certo vamos colocar nossa posição de forma muito clara e objetiva. O PT já prepara sua chapa de pre-candidatos a vereadores, estamos começando a debater com outros partidos. Quanto a chapa majoritária é um processo posterior. Não podemos abrir esse debate de forma irresponsável, estamos analisando todos os cenários, tanto o estadual como o local, para a partir daí, tomarmos nossas decisões.

10 – Qual mensagem o Sr. deixa para os nossos internautas em um ano tão importante e com a classe política tão desgastada? 


Eu acho que a gente tem que ter sempre utopia, ousadia, sem medo de propor rupturas. O mundo vive uma crise global de enormes proporções, essa crise foi colocada pra nós em função de um modelo de desenvolvimento que foi implantado no Ocidente e que nós copiamos esse modelo, agora é hora de rever alguns métodos algumas posturas, ponto de vista d qual modelo de desenvolvimento nós queremos. Nesse aspecto, você pergunta o que tem a ver a Paraíba, nossa cidade com esse debate? É muito importante que a gente paute a questão do semiárido, nós vivemos em um bioma que ultimamente tem sofrido muito com o desmatamento, com a sua redução, escassez presente de água. Ai essa ousadia é justamente na tentativa de mudar nossos hábitos em mudar o meio ambiente, acho que o tem é e tem que ser presente, se não nós não deixaremos meio de vida para as futuras gerações. Se não tivermos esse cuidado, não daremos condições de vida para outras gerações. Minha mensagem é essa: que tenhamos ousadia, coragem de ampliar esse debate na escola, sobre o futuro das nossas gerações, porque passa tudo pela escola. O ponto principal a sobrevivência do nosso meio ambiente, eu acho isso fundamental. O meio ambiente ele compreende a questão hídrica, bioma, caatinga, nossa revitalização de nossos mananciais e pelos nossos modos de consumo. Que tipo de consumo a gente precisa ter, necessitamos consumir muitas coisas pra colocar o lixo no meio ambiente? Essa análise precisamos fazer daqui pra frente tendo como ponto de discussão a juventude. Um seguimento muito importante, a juventude precisa ter esse protagonismo de fazer com que a gente discuta essa questão do futuro das nossas futuras gerações.





Eduardo Rabêlo

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