Morreu
Zé Augusto (74), em Patos, neste primeiro dia do ano. Essa coisa de morte é
muita chata, inquietante, perturbadora. A vida seria bem melhor sem ela,
embora monótona, possivelmente..
Em
certas fases da vida, a morte nos ensina a viver. Depois, com a maturidade , ou
a longevidade, ela nos ensina a morrer. Aprende-se a morrer como se aprende a
calcular riscos diante de abismos próximos. É a lei da previsibilidade.
Mas
quanto maior for a relação de proximidade entre quem morre e quem fica, maior
dor haverá no coração humano. Ou seja : a dor e o pranto são filhos dos que se
gostam. Não poderia haver custo menor para premiar as afeições e o amor ?
Quando
Guiomar e Gilda, minhas irmãs mais velhas, faleceram, entre 2014 e 2015, eu
recebi as maiores lições de que a vida e a morte começam e terminam bem perto
de mim, não noutro lugar distante. Aprendi com elas a morrer aos poucos, sem
pressa e sem medo, prevenido de que, como elas, sou também mortal. Só que tenho
de purgar o sofrimento pela falta que elas me fazem.
A
morte de Zé Augusto Longo, que até o último dia do ano era o mais famoso
radialista de Patos, o eleva à categoria dos ex – ao lado de Virgilio Trindade,
Edileuson Franco e Batista Leitão, para citar apenas os maiorais das últimas
cinco décadas. Não é o fim do mundo, mas é o quase-fim de uma época que deixa
muita tristeza espalhada para todos os quadrantes da cidade. E, não apenas
renova as minhas saudades , mas também aumenta as minhas tristezas e angústias
diante de perdas afetivas. Ele, o bom amigo leal, ÍNTEGRO, ÉTICO, DESTEMIDO,
AFETUOSO, me deixa à sua procura em vão. Foi Longo em tudo – na família, nas
amizades, no Rádio, nos textos primorosos, nas paixões políticas e futebolísticas
, mas poderia ter sido mais Longo na própria vida. Apenas provou que a vida e a
morte se encontram num certo tempo e determinado lugar, ainda que seja num dia
impróprio para se ter tristeza. A alegria ficou por conta dele ter vivido
intensamente, e de ter plantado sementes e mudas férteis nos derredores do lar
que habitou.
Trocaria
as lições de vida que ele me deu pelas lições de morte que ele me deixa agora.
. Só exigiria que fossem ao vivo.
Crônica de Gilvan Freire
Crônica de Gilvan Freire
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